PU 40: quando a versatilidade começa a virar problema

PU 40: quando a versatilidade começa a virar problema
16 de outubro de 2026 Solução Selantes
Silicone
PU 40: quando a versatilidade começa a virar problema

Por que preço, aplicação e garantia precisam ser tratados com mais responsabilidade no mercado de selantes

O PU 40 conquistou um espaço importante na construção civil. É um produto versátil, com boa capacidade de aderência, elasticidade e aplicação em diferentes situações de vedação e acabamento.

E talvez justamente por essa versatilidade esteja surgindo um problema: o mercado começou a tratar o PU 40 como se ele fosse uma solução universal.

Hoje, encontramos produtos comercializados a preços cada vez mais baixos, muitas vezes acompanhados de promessas cada vez maiores. Ao mesmo tempo, o PU 40 vem sendo indicado para praticamente qualquer tipo de aplicação.

É nesse ponto que o profissional precisa parar e fazer uma pergunta simples:

Esse produto realmente foi desenvolvido, testado e especificado para a aplicação que estou fazendo?

O preço não pode ser o único critério

Existe uma pressão natural por redução de custos na construção civil. Isso faz parte do mercado.

Mas, quando falamos de adesivos e selantes, simplesmente comparar o preço de um cartucho com outro pode ser uma armadilha.

Por trás de um selante existem formulação, matérias-primas, controle de processo, testes, estabilidade, aderência, elasticidade, resistência ao envelhecimento e comportamento diante das condições às quais o produto será submetido.

Duas embalagens podem dizer “PU 40” e, ainda assim, não necessariamente entregar exatamente o mesmo desempenho. Ou às vezes é só um silicone de baixa qualidade…

O número 40, por si só, não conta toda a história.

A dureza Shore A é apenas uma das características que podem ser avaliadas em um selante. Alongamento, resistência à tração, capacidade de movimentação, comportamento diante de temperatura, umidade e intemperismo, aderência aos diferentes substratos e velocidade de cura também são informações relevantes para entender o produto.

Por isso, um produto mais barato não é necessariamente um produto equivalente.

O segundo problema: “PU 40 serve para tudo”

Outro comportamento que merece atenção é a transformação do PU 40 em uma espécie de “produto coringa”.

Calha? PU 40. Rufos? PU 40. Esquadria? PU 40. Vidro? PU 40. Piso? PU 40.Colagem? PU 40. Reparo? PU 40. E assim por diante…

A versatilidade é uma característica positiva. O problema começa quando a versatilidade passa a ser confundida com universalidade.

Cada aplicação possui condições específicas. Há diferença entre vedar, colar, absorver movimentações, trabalhar exposto ao sol, permanecer em contato permanente com água, receber determinados produtos químicos ou suportar esforços mecânicos.

É por isso que fabricantes sérios apresentam fichas técnicas e delimitam aplicações, condições de uso e características de desempenho.

O produto deve ser escolhido a partir da aplicação e não a aplicação adaptada ao produto que está na mão.

E existe um terceiro ponto: a garantia

Talvez esse seja um dos pontos que mais merecem atenção.É cada vez mais comum encontrar promessas de durabilidade e garantias extensas associadas a produtos de vedação. Mas uma pergunta precisa acompanhar qualquer promessa:

Garantia baseada em quê?

Em ensaios? Em histórico de aplicação? Em condições específicas de uso? Em uma norma? Em acompanhamento técnico? Ou simplesmente em uma promessa comercial?

Uma garantia responsável precisa considerar não apenas o produto, mas também o substrato, preparação da superfície, condições ambientais, dimensionamento da junta, movimentação e principalmente aplicação.

Não existe produto que possa ser analisado isoladamente de sua aplicação.

Por isso, quanto maior a promessa, maior deve ser a responsabilidade de quem promete.

A visão de quem acompanha o mercado

Pedro Garcia, diretor comercial da Solufix e profissional que acompanha há quase 20 anos o mercado de adesivos e selantes, resume essa preocupação:

“O mercado precisa ter mais responsabilidade ao falar de desempenho e garantia. Não basta prometer muitos anos de durabilidade. É preciso ter produto, desenvolvimento, testes e conhecimento técnico que sustentem aquilo que está sendo prometido. Quando falamos de selantes, qualidade não pode estar apenas no discurso comercial. Ela precisa estar no produto e, principalmente, ser compatível com a aplicação.”

O consumidor e o profissional precisam olhar além da embalagem

Para quem compra e aplica, alguns cuidados são fundamentais.

Antes de escolher um PU 40, vale conhecer a marca que está por trás do produto.

Quem fabrica? Existe uma fábrica? Existe controle de qualidade? Existe laboratório?

Existem fichas técnicas atualizadas? O fabricante informa claramente as limitações de aplicação? Existem testes que sustentem as características declaradas?

Existe assistência técnica? A empresa assume responsabilidade pelo que coloca no mercado?

Essas perguntas podem parecer exageradas quando estamos falando de um cartucho de selante. Mas não são.

Um produto de poucos reais pode estar sendo utilizado em uma aplicação que custa milhares de reais.

E, nesse cenário, economizar alguns reais no material pode representar um risco desproporcional ao valor da obra.

O PU 40 não é o vilão

É importante deixar isso claro.

O problema não está no PU 40.

O PU 40 é uma denominação útil e consolidada quando corretamente especificada e aplicada. Existem produtos no mercado com diferentes formulações e características técnicas, e o desempenho precisa ser analisado de acordo com as especificações de cada produto.

O problema está em transformar um produto técnico em uma commodity sem critérios.

Quando a disputa passa a ser somente “quem vende mais barato”, a qualidade corre o risco de deixar de ser protagonista.

Quando a comunicação passa a ser “serve para tudo”, a especificação técnica perde espaço.

E quando uma garantia enorme é utilizada como argumento de venda sem uma base técnica proporcional, o consumidor pode ter uma falsa sensação de segurança.

Qualidade começa antes do cartucho chegar à obra

É justamente nessa discussão que a Solufix acredita que uma indústria precisa assumir seu papel.

A Solufix é fabricante.

E ser fabricante não significa apenas colocar um produto dentro de uma embalagem.

Significa acompanhar matéria-prima, formulação, processo produtivo, controle de qualidade, desenvolvimento, testes e comportamento do produto.

Significa também ouvir quem está na ponta.

Porque, no final, não estamos falando apenas de um selante.

Estamos falando do trabalho de um profissional.

Da obra de um cliente. De uma esquadria. De uma cobertura. De uma fachada.De uma instalação.

E, principalmente, da confiança de quem escolheu aquele produto.

Qualidade não deveria ser um diferencial de marketing. Deveria ser uma responsabilidade de quem fabrica.